Antimonia
Munir Klamt é artista visual, pesquisador e docente. É Doutor em Poéticas Visuais pela UFRGS, com pós-doutorado na Universidade de Brasília (UnB) e tese premiada com Menção Honrosa no Prêmio Capes de Tese 2017. Desde 2003, assina sua produção — que abrange vídeos, instalações e performance — sob o pseudônimo Ío, criado em parceria com Laura Cattani. Destaca-se por exposições individuais premiadas como Aporia e Do Lado de Fora de um Quarto Fechado, além de ampla circulação em mostras coletivas nacionais e internacionais em espaços como a Fundação Iberê Camargo, Fundação Vera Chaves Barcellos e Santander Cultural. Acumula reconhecimentos como menções honrosas nos Prêmios IEAVI e indicações ao Prêmio Açorianos de Artes Plásticas.

A exposição Antinomia é parte do projeto contemplado com o Prêmio Marcantônio Vilaça 2019, que inclui a doação de obras de Frantz, Marina Camargo e do duo Ío para o acervo do Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães, uma importante iniciativa que permite trazer um recorte da produção contemporânea do Rio Grande do Sul ao acervo do MAMAM. As obras selecionadas, peças emblemáticas dentro da produção de cada artista, evidenciam a particularidade de suas poéticas e possibilitam um diálogo profundo e auspicioso com outras obras da instituição.
A palavra Antinomia – contradição entre duas proposições apresentadas com lógica, coerência e rigor, mas que chegam a conclusões distintas – marca este momento histórico. As obras selecionadas são caracterizadas por suas dessemelhanças de temas, conceitos e formas, mas que cercam, neste recorte curatorial, um núcleo temático. Frantz parte de fotografias de um friso da Capela Dourada do Recife, cujos rostos dos soldados romanos foram vandalizados. As imagens, ampliadas e impressas sobre tela, são recobertas por verniz, o que lhes confere uma dimensão pictórica. Trindade, da Ío, é uma escultura inspirada na estrutura de uma boleadeira – arma tradicional dos Charruas – na qual, no lugar de pedras, estão as cabeças de João Batista, Orfeu e Obatalá. Esta obra unifica um dispositivo de caça indígena e três protagonistas dos continentes conhecidos da antiguidade, eixos influentes na cultura brasileira. Beckton Alps, de Marina Camargo, narra a transformação de uma zona industrial britânica em uma montanha artificial. Cada trabalho aponta, à sua maneira, para formas de apagamento, palimpsesto e esquecimento. Para a realização desta exposição, além das obras que irão compor o acervo do Mamam, foram selecionadas uma obra de cada artista que dialoga com este eixo temático.
Para permitir o amplo acesso à exposição durante a pandemia, uma sala virtual foi desenvolvida, recriando minuciosamente um dos espaços expositivos do Mamam.
Serviço:
Exposição Antinomia
Curadoria: Laura Cattani e Munir Klamt
Artistas: Frantz, Ío e Marina Camargo
Endereço da exposição:
https://bit.ly/antinomia_mamam




